Designer by Luiz Cotta

Alice e sua Sombra

Alice não é Ágata.
Alice não é Renata, Débora, Aline, Ana e muito menos Carolina.
Alice não é bailarina, professora de forró, santa ou indulgente.
Alice é só Alice mesmo. E mais nada.
Por enquanto...

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Alice e sua des-arrumaçao

Era sempre assim. Começava andando em círculos e por assim ficava horas a fio e, metaforicamente, dias a rodar em volta de si mesma, como se estivesse a procurar qualquer coisa que não sabia o quê.

As voltas deixavam marcas por onde passava, pela sala, quarto, cozinha especialmente. Eram marcas de pé, marcas de meia suja furada, marcas de sapato, marcas de qualquer coisa que anda, nem necessariamente dela ou nela mesma.

Aí dava-se a arrumar tudo. Começava com as gavetas de bagunça, as gavetas de papel, as de documentos, as de óculos de escuros, as de roupa. Começava numa, mediava noutra e terminava em outra ainda sem entender bem o que arrumava. Mas não parava. Passava pano, abria e fechava portas, coçava a cabeça e voltava a andar e dar voltas. Era periódica e constante nestas tarefas. E não terminava nada. Ia dormir, quando ia, quase sempre, exausta em meio a arruaça desordenada e sem nome.

Alice ficava tempos a pensar: o que a fazia procurar tanto alguma coisa qualquer do lado de fora uma vez que o que teria de ser achado haveria de estar dentro dela própria?

Em tempo: Duraria dias, meses, horas ou minutos. Hora ou outra ela ficaria menos aflita, daria uma olhada de canto de olho a sua volta e riria de si mesma. Entenderia, pois.

Alice, depois, fecharia as gavetas assim mesmo como estivessem, limparia as manchas do piso da cozinha, jogaria as meias furadas fora e seguiria em linha reta. Para onde a linha apontasse ela iria. Era caminho, anyway.

A questão é que Alice precisava destas voltas e reviravoltas de tempos em tempos na sua vida. Arrumava por fora a vida angustiada por dentro. Quando dava por si, o que tanto ajeitava já estava em ordem. A ordem quem precisava era ela. Era quando se ria de lado das coisas. 

Mas não importava. Passaria por aquilo tantas vezes fosse preciso. Precisava das curvas para mudar o rumo das retas e, aí sim, continuar andando para frente. 

Enfim. Alice carecia de ser Alice mesmo. 
Anyway.

Janela da alma... E sombra.

Janela da alma... E sombra.

Quem?

O que disse Richard Pekny