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Alice e sua Sombra

Alice não é Ágata.
Alice não é Renata, Débora, Aline, Ana e muito menos Carolina.
Alice não é bailarina, professora de forró, santa ou indulgente.
Alice é só Alice mesmo. E mais nada.
Por enquanto...
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segunda-feira, 12 de abril de 2010

Alice: E a sombra lhe disse...

Seria impossível, ou lhe parecia ser, ao menos. Impossível juntar todos os pedaços dos nós de calos das mais perfeitas ultrajantes contravenções do certo. Impossível fazê-lo e ausentar-se da dor da pele, do salgo das impurezas das lágrimas.

Se resolvesse, então, desviar-se do despretensioso caminho da calmaria e, de fato, enviesar-se pelas pedras da ante sala sem corrimão onde deixou todo o peso e coisas mal resolvidas, que o fizesse preparada a doer-se inteira, como se estivesse a parir-se a si de novo por si própria numa outra mecânica, duma forma contraposta, crua, nua, impensável antes que seja “agora”. E trataria de ser “impossível” dar-se, ao fim, como a mesma. Outrora. Seria como trocar de carcaça ainda viva, seca de umidez, empalidecida como cera sem retoque. Sairia projétil sabe-se lá de quê. Sairia outra coisa qualquer não status quo. E haveria de revalidar-se por toda, inteira e completa sem nada abaixo do tapete, sem pingos de vestígios.

Seria impossível. Sem sentir dor. Sem refazer-se. Sem ser OUTRA VEZ. DIFERENTE. Não era “de novo”. Era, portanto, “novo”.

E há de se preparar. Como fazem os que somente seguem instintos e destinos. A diferença, Alice, era que se tratava de uma escolha. A de não saber que era mesmo “impossível”, ir lá e fazer.

Então, vá. 

Sua Sombra

terça-feira, 5 de maio de 2009

A Sombra e suas divagações

Às vezes me sinto abandonada por Ela. Porque passam dias e Ela nem me nota. Nem me olha, nem me bota reparo. E eu continuo seguindo. Estou grudada N’ela. Faço até parte D’Ela. E isso é uma condição da minha existência (se é que isso é existir). Sem a essência D’ela, com toda a peculiaridade inerente a Ela, eu não sou. E simplesmente não.

Então às vezes provoco, me escondo, brinco. Sozinha. Como se Ela brincasse comigo também. Torna o meu eu mais praticável e existível. Torna-me real. Assim eu acabo acontecendo e sendo. Eu tenho é medo de deixar de ser ou acontecer e ficar largada ao léu, em inércia, coma, vegetal, se não sofismar do meu próprio baile solitário.

Eu não tenho nada além D’Ela e da subsistência D’ela. Me acostumei assim. Porque vivo rodeada D’Ela e das coisas D’Ela. Não imagino como poderia ser diferente. E se poderia. Eu nasci (se é que eu que nasço) assim. É como uma pedra que nasce pedra ou é pedra. Não sabe o que seria, ou se poderia ser, se fosse uma borboleta, um sentimento ou uma coisa. Uma coisa qualquer.

Já eu, que me sou sombra sempre, até no limite do ilimitável, só sei ser sombra. E meu medo não é deixá-la. Porque deixá-la seria deixar-me também. Meu único medo é acabar por coexistir como estátua se não usar de meus subterfúgios para continuar sendo eu, mim, Sombra D’ela, misteriosa, constante e escura.

Alice tem medo do escuro. E eu tenho medo de não ser o escuro.
O Lado B

Janela da alma... E sombra.

Janela da alma... E sombra.

Quem?

O que disse Richard Pekny