Designer by Luiz Cotta

Alice e sua Sombra

Alice não é Ágata.
Alice não é Renata, Débora, Aline, Ana e muito menos Carolina.
Alice não é bailarina, professora de forró, santa ou indulgente.
Alice é só Alice mesmo. E mais nada.
Por enquanto...

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Alice indignada

Imaginava como seria sem graça a vida de quem não morre de amor, não fica puto da vida, não clama por mais e não adoece de paixão.

Deveria ser muito sem sal uma vida sem pimenta ardida nos olhos e sem indignação no peito. 

Alice achava que os altos e baixos davam um tom à canção, as dores e as tristezas davam veracidade ao estar vivo e respirando.

Coisa mais sem graça não poder sambar sem ritimo, sem respirar fundo quando receber flores, sem deixar cair uma lágrima quando a saudade aperta, sem se deixar levar pelas mãos por alguém que inebria.

É... Devia ser muito sem graça sobreviver ao invés de viver intensamente. Era preferível morrer a passar todo o tempo anestesiada. Alice era sempre indignada. Queria tudo. Não queria o nada.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Alice Bagunçada

Ele disse que ela era magnética, espevitada, rápida como um cometa, estranha e interessante.

Ela, por sua vez, nos sabia o que fazer com as mãos e muito menos com os olhos, se o encarava ou se baixava a cabeça.

Eles se bagunçavam.

Ela não sabia o que ele queria. Também não sabia o que ela mesmo queria. Talvez até não quisesse nada. Mas estava gostando e achando muito graça daquilo tudo. Afinal, era muito bom ser mimanda...

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Alice e o Fantasma Dele

Ela dizia ter a sensação de ter sempre uma sombra Dele rondando por entorno dela. Ela ficava abafada e desolada com a sensação de não conseguir caminhar sozinha e ter sempre a sensação Dele por perto.

Era como se Ele não conseguisse viver sem ela e quisesse estar por perto a observando com seus olhos imersos no desejo de tê-la de novo.

Ela queria correr, se afastar, livrar sua mente das coisas dele, do cheiro dele, da barba mal feita dele, dos sonhos que foram deles.

Alice queria viver outras histórias, outras fantasias, outras realidades, outras pessoas. Mas Ele lhe atormentava, condensava sua existência na áurea dela, a curtia em orvalho preparando o bote. Até o silêncio Dele falava alto e fazia doer os ouvidos. As fotos ainda não tiradas do quadro a olhavam naquele abraço eterno. E as poucas migalhas descentes que haviam restado deles estavam na estrada de todos os seus caminhos para que tropeçasse Nele.

Era como se a rodeasse. Com pequenos telefonemas, poucas respostas e nenhuma pergunta. Era uma espera eterna de que as coisas ficassem cômodas de novo, apesar de não serem cômodas de maneira alguma. Eram árduas e sempre machucavam quem estivesse em volta dos conflitos do cotidiano que viviam. E era basicamente isso.

Era uma prisão particular não se deixar livre, não o deixar ir embora pelo caminho do esquecimento, isso de deixa-lo por perto. Ele a sufocava. Ele a prendia. Ele a guiava ao seu bel prazer. Ele não a permitia. Ele abafava Alice como se Ela fosse só o que Ele havia criado Dela pra Ele.

Era notável que a presença Dele só a incomodava porque Ela permitia. Permitia-se vê-lo. E o permitia estar por perto. Precisava, portanto, deixa-lo ir, parar de dar voltas por Ela e seguir seu caminho. Ela também estava “aprecisada” disso, do caminho sem espectros ou assombrações. Ela precisava começar a andar e sentir o vento no rosto branco e sair daquele casulo. Tomaria uma cerveja com aquele colega de trabalho, quem sabe. Ou iria pro samba escutar Silvia Gommes e sapatear na cara da sociedade que lhe impunha um comportamento de dama e Alice queria mesmo é ser desavergonhada e despudorada. Queria, ah, a tal da liberdade. Sem fantasmas.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Alice tinha Medo

Ai, essa dor que não largava do corpo e ela queria gritar.

Subia arrepiando-lhe os pelos até cair quente pelos poros em lágrimas ardidas. Ai, essa dor torturante que dava nó no buraco da garganta. Era de contorcer o corpo em relutância à. Estalava os ossos, doía o peito e corava a face.

Alice tinha era um terrível medo de fins, de inícios e de tudo que mudasse.

 A dor fixava morada ali porque ela não conseguia parar de continuar. Ela não sabia dizer que não, temia profundamente o começar de novo. Era de exalar tortura, aquilo que lhe partia no meio e não tinha anestesia que sarasse. O coração dela não admitia parar de bater. E um fio de rugido baixo e leve ameaçava sair boca afora, pra acalentar a alma. Mas saia suspiro, anseio de pronuncia que não tinha fim porque acabava o ar no meio da vontade de findar-se, o grito.

Mas ela tinha medo dos fins. Os fins que parem começos. Ela temia eternamente parar de sofrer, parar de tentar, parar de sentir e morrer.


Janela da alma... E sombra.

Janela da alma... E sombra.

Quem?

O que disse Richard Pekny