Designer by Luiz Cotta

Alice e sua Sombra

Alice não é Ágata.
Alice não é Renata, Débora, Aline, Ana e muito menos Carolina.
Alice não é bailarina, professora de forró, santa ou indulgente.
Alice é só Alice mesmo. E mais nada.
Por enquanto...

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Alice ali

Disseram que Alice vai parar no Jô...
http://e-blogue.com/blogs/blog/2009/02/24/4/#comments

Alice contra as metades

Alice nunca viu uma “meia-gota”. Nunca teve a chance de perceber qualquer meio segundo ou milésimos ou a velocidade da luz.

Porque no seu entendimento o tempo é de acordo com o que se pode contar, ver, tocar. E entender o milésimo do segundo leva, no mínimo, um segundo.

Portanto todos estes meios, estas dissecações de unidade, estes recortes do que é, são puras invenções dos homens para disputarem entre si até a última metade do átomo da ponta do seu cabelo duplo!

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Alice e o outro

Ele tinha a ousadia de aparecer na porta da casa dela (o que era de se esperar). Mas ele ficou falando que queria conversar com ela, sobre ela, dela, com ela. E, de repente, pegou na mão dela...
Alice logo se desvenciliou daquilo porque a surpresa foi tamanha que ousadia era só o começo pra descrever um grande cara de pau. E ele começou a falar e falar e Alice não acreditava que ele não ia reclamar de Monaliza. Que não ia chorar por Monaliza, como sempre fazia. Que não ia lamuriar, enterrar e desenterrar Monaliza. Mas ele ligou o som do carro e pediu para que ela olhasse nos olhos dele e que soltasse os cabelos!
Aquilo tudo deixou Alice enjoada, mas tão enjoada que ela queria correr pra casa e vomitar. E tirar cada lembrança daquela mão, daquele olhar, daquela frase que não acabava "Monaliza é passado" e de tudo que lembrasse aquele homem desesperado por ser amado, louco, possessivo, serial killer talvez.
"Por que eu?". "Porque você.". Argh! "Seu fulano idiota sem noção de espaço imbecil asqueroso! Já ouviu falar em lealdade?".
Foi embora com nojo de si mesma, como se tivesse culpa por ter sido a primeira a aparecer na frente do Don Juan magricelo e neurótico. Ainda não tinha contado à Monaliza. Estava pensando como dizer.
Monaliza vai compreender. E, pelo que conhece dela, vai até rir. "Que palhaço...".

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Alice e o seu "nem consegue dizer"

E, não sabendo que poderia pirar, Alice via com os olhos estatelados: o seu mundo agora balançava as pernas em pleno sinal de desespero.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Alice e o recado de um amor acabado

"Ganhei um quadro...uma mulher de costas, da cintura para cima, cabelos negros e costas nua... FUNDO AZUL... CLARO! Será que a pessoa que pintou me conhece bem??? Nao tem jeito.. pode acabar, mas tem coisas q marcam para a vida toda! AZUL CLARO ficou! "

Alice e a maior angústia de todos os tempos

A rotação já dava sinais de desgaste, dia destes começou a tombar...
Mas hoje mesmo é que o mundo ficou de pernas pro ar!

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Alice e sua cor

É difícil dizer aos outros quem é. Talvez por isso permaneça no anonimato. Era preto, mistério, angular, singular e múltiplo. Padrão.
Alice sempre preferia ser assim, preto no escuro, sombreada, inerente à mesmice do nada a dizer. Era a maneira mais fácil de sobreviver. De não aparecer.
Qualquer coisa que não fosse o preto, poderia ser de cor. Poderia ter uma cor bonita ou feia, porém óbvia. Verde é verde. Azul é azul. Sem meias palavras.
E por isso ser preto e sombrio era seu melhor esconderijo. Assim não correria o risco de se daparar com alguma coisa amarela, laranja, cinza, sei lá, boa ou ruim. Mas seria Alice exposta para visitantes. E ela não era um pássaro em extinção. Queria continuar sendo só mais uma na multidão.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Alice e nada

Alice não quer falar nada hoje. Vai se vestir de preto e ir para uma cafeteria curtir sua solidão senhora. Não deseja interrupções.

"A Gerência"

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Alice e a dor que dói

O corpo dói,
A coluna dói,
O pescoço dói,
A cabeça dói,
A alma dói...

Mas, que dor é essa que dói?!? Dor que destrói. Dor que pede cama, colo, cobertor e fim de semana. Nunca havia sentido isso antes. Mesmo nos meus piores momentos o cansaço era outro, o clima era outro, a dor era outra, ela, Alice, era outra...
Mas, agora era diferente: o simples fato de acordar a consome, as 10 horas são intermináveis, o ar é quente graças ao verão, o clima é frio graças as pessoas.
Pela janela Alice vê vida, pessoas, crianças, sons, risos, alegria... E a sensação é que está perdendo tempo. Está ficando velha, não em idade, mas com pensamentos velhos.
E o cansaço é tamanho que toda e qualquer oportunidade é vista como um momento para fechar os olhos e tentar dormir. No entanto, o sono por si só não sustenta, talvez seja preciso dormir 5 dias, 12 horas, 20 minutos e 17 segundos.
O problema é que após essa overdose de Dramin o relógio voltaria a gritar e as bufadas continuariam a existir.
Ainda prefere Toddy ao Tédio, como dizia Cazuza.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Alice e ah!

Apesar de saber que Ele não estava mais lá como ela gostaria, apesar de sentir-se extremamente só, apesar de sentir-se responsável e, pior, culpada pelos problemas dos outros (seu avô), Alice sabia que aquele era o melhor momento de sua vida.
E que, ah!, vontade louca de gritar e chorar e tudo ao mesmo tempo e agora! Aquilo tudo que estava acontecendo tinha motivo e, ah!, vômito:
Ele não estava ali com ela, não atendeu o telefone, não respondeu a nenhuma das suas mensagens e ela jamais ligaria na casa dele. Foi quando apagou todos os telefones dele e qualquer outro contato virtual que possuia. Num insitgh da "mente sem memória dele". E assim ficaria mais fácil, mesmo com o coração vazio de não ter a quem amar. Mas já dizia Monaliza: o amor só é bom se doer...
O telefone tocou. Era ele. Dias depois já faziam anos, séculos. Aí ela descobriu que aquele era o melhor momento de sua vida. Porque sempre o será. Em qualquer tempo. Aos 18, aos 58. Sempre seria.
E terminou a noite cantando "... e pra quem já me esqueceu: AQUELE ABRAÇO!" enquanto tomava sua soda no canudinho.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Alice e um presente

Muito "agradicida".

http://so-pensando.blogspot.com/2009/02/cenas-de-alice.html

Alice só

Raiva daquilo tudo. Não atende mais telefone. Não!

Era sempre a mesma coisa. "Vamos fazer isso e aquilo?". "Sim". Se encontravam, não como tinham combinado, em outro lugar, com outra roupa, em outro horário, faziam "aquilo" e logo seguiam para outro programa pra que todos ficassem de bem com a vida.
Raiva, muita raiva.
Nunca acontecia como combinavam e sentia-se usada. Companhia. O que queria fazer nunca era feito e sempre virava programa dos outros. Sempre outro lugar, com outras pessoas. Sempre de uma maneira sutil, "vamos pensar e..." - já estavam em outro lugar.
Queria ficar lá. Mas não. Foi. E, na tentativa de agradar aos outros, se desagradou. E ainda por cima foi uma tentativa inútil, um forró mal dançado, um taxi mal pago, um telefone tocando e não atendido.
Às beiras de desistir também não foi socorrida. Isso chateia.
Cansada. Come um fast food, pega outro taxi e vai embora. Puta.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Alice e (Sua Sombra) esquisita

Alice conheci bem aquela sensação. Lembrava-se da época de escola. Bastava o ônibus parar na porta que já vinha a sensação de enjôo, tontura, mal estar e um vômito que nunca conseguia sair. Era ali, naquele lugar, que era a estranha do ninho, a desajustada, que escutava Bethoven e não axé, que lia Sartre ao invés das crônicas obrigatórias de Veríssimo.

Era ali que pintava as unhas de vermelho, o cabelo de laranja e usava saias cumpridas e coloridas de sua avó e óculos escuros. Era ali que passava os intervalos no laboratório de informática rm salas de bate papo por não ter ninguém com quem conversar. Era ali que era a melhor aluna da classe, que sentava-se quieta na última carteira da escola e foi ali que lhe inventaram o apelido de "Sombra Esquisita".
Seu primeiro grau fora um caso a parte. Uma disparidade. Uma obrigação imposta pelos pais e, mais ainda, pela sociedade. Ela queria estudar numa escola pública à noite, aprender japonês e fazer intercâmbio na Jamaica. Era mesmo uma desajustada.

Naquela época já começava a escrever seus poemas e se interessar por rapazes. Um em especial. Quinze anos mais velho. Dois anos intensos e escondidos. Enquanto isso ela se adaptava à rotina de aula, natação, inglês, piano, tênis e jogar cartas com seus avôs. Este último era, de fato um prazer que a livrava do terror que era sobreviver àquela crueldade do mundo.
E agora reconhecia bem a sensação da língua grudada na garganta, do vômito entalado, da zonzeira e da vontade de fugir. Isso acontecia a algum tempo. Bastava chegar na porta do escritório. Bambeava as pernas, mas entrava e ligava o computador que a prendia numa sala sufocante com cheiro de mofo e cigarro por oito horas. Todos os dias.
Alice odiava não conseguir vomitar. Talvez aliviasse seu corpo e sua alma.
Mas desde aquele tempo e até hoje lembrava-se de cor e salteado o que lhe dissera, quase que pessoalmente, Fernando Pessoa:
"Minha Loucura, outros que me a tomem
Com o que nela ia.
Sem a loucura o que é o homem
Mais que a besta sadia,
Cadáver adiado que procria?"

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Alice e seu desabafo




Não venha me dizer que ainda gosta de mim e não sabia.
Não me venha com essa de que estou linda que não vai receber nenhum oh muito obrigada mais que gentileza são seus olhos!
Não adianta dizer que naquela época não sabia o que queria e que agora tem certeza que eu sou a melhor coisa que lhe aconteceu na vida e nem mesmo proponha que eu volte atrás e pare de viver, porque minha vida seguiu, pra lhe fazer companhia porque no máximo vai receber um dar as costas e fui!
E nunca, nunca mesmo, ouse, ou mesmo pense que seu carro que nem sei a marca ou suas costas largas vão me seduzir porque caso não se lembre e, se não lembra, putaquepariutomarnocubemnomeiodele, eu não sou esse tipo de “moça” e sua cortesia material pra mim vale tanto quantos suas palavras medidas e cronometradas: Nada. Menos nada. Nada negativo.
Alice

Janela da alma... E sombra.

Janela da alma... E sombra.

Quem?

O que disse Richard Pekny