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Alice e sua Sombra

Alice não é Ágata.
Alice não é Renata, Débora, Aline, Ana e muito menos Carolina.
Alice não é bailarina, professora de forró, santa ou indulgente.
Alice é só Alice mesmo. E mais nada.
Por enquanto...

domingo, 14 de junho de 2009

Alice e os leões

Era um pedaço de carne numa gaiola rodeada por leões.

Alice, antropóloga de carteirinha, adorou observar e ser parte daquele ritual masculino e sua divisão de territórios. Eram cinco ou seis. Todos ali de pé, tomando cerveja e encurralando a jaula, prensando, asfixiando.
Uma confraternização. Poucas mulheres disponíveis. Muitos homens. De todo tipo. O intelectual, o bêbado com seu chapéu côco, o don juanito, o desencaixado, o mais ou menos normal, o pintor... Eram vários. Se conheciam. E, claro, conheciam muito bem o código de conduta da macheza dos homo sapiens.
Alice era o pedaço de carne saborosa ali. Uma presa. Ouviu que era uma pessoa muito legal, ouviu que fulano (ele mesmo quem disse) beijava muito bem. Ouviu que era uma incógnita. Melhor: um ponto de interrogação (?). Ouviu que se a visse numa balada e conversasse com ela "o cara ia pirar", afinal Alice era uma mulher muito diferente. Ouviu que valeria a pena gastar saliva a noite interira para lhe roubar um beijo e aí "morreria feliz". Ouviu muita merda.
Alice saboreava aquela disputa e fazia tudo planejadamente pensando no resultado de suas ações. Saía de perto quando lhe era conveniente. Voltava quando era favorável. E os machos continuavam disputando. E não era Alice que eles realmente disputavam. Era o poder e, lógico, a conquista.
Passa o tempo, passa o avião, a poupança bamerindus e continua tudo igual. O galanteio moderno nada mais é do que a clássica cena do homem das cavernas puxando a fêmea pelos cabelos, porém com uma fotografia melhor.
Ela se divertia com o que poderia fazer e como poderia interagir para causar efeitos de impacto. E se impressionava como todos, do bêbado ao intelecto, participavam ativamente daquela guerra sem causa. E sem fim.
Alice ama ser mulher. E ama as sutilezas da mulher.
Enquanto os rapazes encenavam o tempo dos macacos ela tirou fotos absurdas, fez um novo amigo, conversou com pessoas interessantes, comeu e bebeu.
E a cada vez que voltava via a mesma coisa. Apitava o próximo round e ia fumar um cigarro.
Decerto era melhor que assistir futebol.

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Janela da alma... E sombra.

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