Um passado me bateu na porta esses dias. Bateu forte como forte pulsavam minhas veias e minha vontade de gritar e chorar de alegria e desespero. Bateu BUM. Bateu, entrou, navegou no meu coração, na minha nostalgia, nos meus desejos. Passeou por cada parte do meu antes, por cada parte do meu corpo, me arrepiando todos os poros que queriam ar. Eu quase fiquei sem respirar. Este passado foi um vôo e um tombo. Foi um querer demais da conta e poder muito pouco. E esperar, esperança.
Aí o passado veio todo importante. Me deixou abobada e só com as pontas dos dedos dos pés no chão. Só as pontas, como uma bailarina. Me perguntou se ainda faço pose de bailarina e estripulias que bailarinas fazem. Eu respondi que sim.
O passado me fez pensar em cheiros e pecados. Em abraços apertados e insegurança. Me fez pensar em medo. E, surpreendentemente, em liberdade.
O passado, sem saber, continuou passado, passando. Ainda tá aqui, ali. Bem por perto. O passado me perguntou se poderíamos ser passado no presente de novo, só que diferente. Porque o passado havia mudado. E eu também.
Não fechei a porta. Nem abri. Tá entreaberta, por ora. Mas to de costas pra ele. Ainda olhando pra frente. Nem dói. Mas mexe. Ele mexe comigo.
Durmo as noites no presente e, de tempos em tempos, lembro-me Dele, no passado. E penso Nele, no agora. Quero. Mas não preciso.
Não coloquei no bolso, não guardei numa caixinha. A bem da verdade nem sei se peguei e coloquei em algum lugar. Ele não me incomoda. Mas quero ele, quando lembro.
Aí o passado começou a ser presente sem querer. Parado. No meio do buraco da porta. Pela janela dá pra ver com clareza. Quando fecho os olhos, porém, não consigo vê-lo sem embaçar. Esse passado doido perdeu muitas toneladas de intensidade. Então ele fica assim, peso mais ou menos, uma oportunidade de viver diferente e uma chance de não querer.
Ô Passado! Se tivesse vindo antes, aí sim, me faria dar tripiruetas ao quadrado, incandescentes e transloucada. Seria uma loucura outra vez.
Ainda bem que veio agora. Não caberiam em mim movimentos drásticos de outrora. Não agora.
Seja bem vindo ao meu agora. E eu ao seu. Podemos ir ao cinema, talvez. Semana que vem...
Pode ser.

Se vc gosta de beatles, tem uma banda com uma musica linda, que fala numa Alice fanática por Beatles, conhece?
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Adorei! Posso indicar no meu blog? Bjs
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