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Alice e sua Sombra

Alice não é Ágata.
Alice não é Renata, Débora, Aline, Ana e muito menos Carolina.
Alice não é bailarina, professora de forró, santa ou indulgente.
Alice é só Alice mesmo. E mais nada.
Por enquanto...

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Alice e a escuridão

Eu queria é que você ficasse comigo ontem. Que não me deixasse sozinha no negro da noite sem luz. Queria mesmo que você se importasse com a minha solidão, meu medo do escuro e me ajudasse a cuidar de cada canto da minha casa vazia.

Queria que você trouxesse mais velas, talvez um vinho. Ontem eu queria ficar deitada na rede com você vendo as estrelas ou assistindo um filme patético qualquer, à luz de velas, muitas velas.

Queria que você me cuidasse mais e me atendesse prontamente e que nenhum jogo de futebol fosse um "daqui a pouco te ligo".

Queria que você me ajudasse a cuidar da minha gata que estava aflita, achasse meus incensos e me abraçasse forte com a força que tem que me encaixa sempre tão bem.

Ontem eu queria que você fosse a luz que me faltou, o quente do meu cobertor e o chamego de "está tudo bem, meu amor".

Ontem queria dançar pra você. E te deixar admirando o reflexo do meu cabelo sob a luz das velas vermelhas que coloquei na sala. E dançaria de vestido, como você gosta, bem devagar só pra você admirar. Rodopiaria na ponta dos pés e pararia bem de frente pra você e...

Ontem eu queria que você fosse meu fogo, minha cama, meu cheiro, minha falta. E ficaríamos nós três, você, eu e a gata Penélope nos aconchegando até que o sol raiasse.

Mas você não foi. Não entendeu que meu "não precisa" era uma súplica. Que minha voz truncada era um querer demais te ver como surpresa pelo olho mágico da porta. Não percebeu que te queria inteiro e completo comigo. Não percebeu que tinha que me adivinhar.

Mas isso é só mais uma pirraça minha. Só mais uma exigência egoísta, só uma de me achar um sol e que você só pode ter olhos cegos pra ele. Puro ego, birra e solidão.

Depois que descobri que meu "não" foi mesmo um "não" pra você, que nada iria acontecer... Penélope e eu nos enroscamos debaixo do cobertor, sopramos as velas e dormimos. Afagadas pelas mãos macias da minha sombra que me acompanha mesmo na escuridão total e absoluta dos meus sonos.

Não se preocupe com culpa. Com ela lido eu. Ela vem sempre me cobrar pelos meus caprichos. Sei bem como é. Agora que não pode mais fazer nada, deixa que com a culpa e o castigo eu me viro.

5 comentários:

  1. ".... deixa que com a culpa e o castigo eu me viro."
    Fantastico Alice, Fantastico

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  2. Eita Alice... Sem palavras, cem comentários. Bjus.

    http://contesta-acao.blogspot.com

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  3. Liindo, liindo, perfeito, adoreei! *.*

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  4. Bom. Muito bom. Texto limpo e com começo, meio e fim.

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  5. Adorei! Cada vez mais, você consegue dizer coisas que a gente sente mas não transformamos em texto. Beijo

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Janela da alma... E sombra.

Janela da alma... E sombra.

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