Designer by Luiz Cotta

Alice e sua Sombra

Alice não é Ágata.
Alice não é Renata, Débora, Aline, Ana e muito menos Carolina.
Alice não é bailarina, professora de forró, santa ou indulgente.
Alice é só Alice mesmo. E mais nada.
Por enquanto...

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Alice quando explode

Quando eu me calo é porque explodo por dentro. Me desafio na miúda em silêncio. Me componho pra não explodir fora. Pra não desgarradamente suprir minha raiva do pulso dos outros, não sangrar de quem não tem suor que me cale, não tem força que me segure, não tem corrente para o meu monstro.

Quando me calo é pra não atirar pro exterior o que me leishmaniose vicera. É pra não cuspir de asco o meu bicho de sete cabeças, pra não botar fogo na palha com gasolina. É pra não te queimar, que me calo, me resguardo em dor inquieta só dentro de mim. Não tenho intenção de te ferir.

Não quero deixar marcas. Nem feridas. Nem bolhas, nem cascas. Me calo é porque explodindo por dentro trato-me da minha própria melancolia. Sozinha. E não te envolvo, não me completo. Quando me calo é que me acho, me reviro pelo avesso, me procuro, me troco, me deixo. E volto.

Quando me calo não quero desculpas, pedidos ou razão. Não quero avalizar culpa. Não quero sexo, carinho nem discussão. Quando me calo sofro com o mexe remexe que apronto dentro de mim. É de veia em veia, de liga em liga, de ponto em ponto do coração e do corpo inteiro de vermelho, que vou ligando, com cola quente de úlcera. Cola que arde, queima. Aí reparto em pedaços cada tijolo do meu estouro. E começo a me reorganizar, montando-me inteira, num processo doloroso de auto avaliação, auto conceito, auto imagem e um pouco de piedade. Vou me fazendo de novo, bonita por fora e esburacada por dentro. Cobrindo com estampas coloridas cada fundo sem nó, cada pedaço sem liame, cada um com cada qual.

Regenero, então.

Quando eu me calo é porque explodo por dentro.
Pulso dos outros. Não atiro leishmaniose que vicera, não cuspo asco nem bicho de sete cabeças... É pra não te queimar.

Porque quando me calo é porque não tenho intenção de te ferir.


3 comentários:

  1. Calar... Verbo que não consigo conjugar, ainda mais quando estou despedaçado. Bom pra vc Alice, que consegue sangrar na miúda. Bjus.

    http://contesta-acao.blogspot.com

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  2. A Revista Antimatéria é seu seguidor.
    http://www.revistaantimateria.blogspot.com

    abraços!

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  3. Fiquei lendo o texto...
    Pronto, está bem - às vezes a gente cala o que não deve, fala o que não deve - às vezes os tempos estão errados, como se adormecessemos de dia e acordássemos de noite.

    Mas eu gosto disso.
    Não pelos disparates que às vezes faço, não. Só pela sensação de ser imperfeito e humano.

    Todos somos únicos, não é?
    Nem Renata, nem Alice, muito menos Carolina.
    Somos só... únicos.
    Caramba... e como eu adoro isso.
    Você não?

    Um óptimo fim de semana para você.

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Janela da alma... E sombra.

Janela da alma... E sombra.

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