Seria impossível, ou lhe parecia ser, ao menos. Impossível juntar todos os pedaços dos nós de calos das mais perfeitas ultrajantes contravenções do certo. Impossível fazê-lo e ausentar-se da dor da pele, do salgo das impurezas das lágrimas.
Se resolvesse, então, desviar-se do despretensioso caminho da calmaria e, de fato, enviesar-se pelas pedras da ante sala sem corrimão onde deixou todo o peso e coisas mal resolvidas, que o fizesse preparada a doer-se inteira, como se estivesse a parir-se a si de novo por si própria numa outra mecânica, duma forma contraposta, crua, nua, impensável antes que seja “agora”. E trataria de ser “impossível” dar-se, ao fim, como a mesma. Outrora. Seria como trocar de carcaça ainda viva, seca de umidez, empalidecida como cera sem retoque. Sairia projétil sabe-se lá de quê. Sairia outra coisa qualquer não status quo. E haveria de revalidar-se por toda, inteira e completa sem nada abaixo do tapete, sem pingos de vestígios.
Seria impossível. Sem sentir dor. Sem refazer-se. Sem ser OUTRA VEZ. DIFERENTE. Não era “de novo”. Era, portanto, “novo”.
E há de se preparar. Como fazem os que somente seguem instintos e destinos. A diferença, Alice, era que se tratava de uma escolha. A de não saber que era mesmo “impossível”, ir lá e fazer.
Então, vá.
Sua Sombra

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Ah a doce e malvada decisão de tomar uma decisão... Bjus.
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