E era daquilo que quera viver, daquilo que atormenta o pensamento com detalhes passados, ora amassados e jogados num canto qualquer, ora sobreviventes das tempestades e tormentas que lhe assediaram assim como agora:
Desamassados e postos na tela do seu computador, aquela coisa antiga que não poderia nem mesm falar em voz alta.
Ah, sim, que era isso que lhe faltava, a ânsia de querer, o estado rubro da pele de poros abertos. E era de se admirar que não soubera antes que era isso de ficar louca, de arremessar esperanças ao vento, que tanto queria. Era para isso que vivia.
Esbanjada de visões coloridas sobre si mesma, Alice acariciava seu ego, sentindo-se o ser mais importante de todos. E, de fato, ela era mesmo. Despregada de qualquer cálice de protocolos sociais, livre de idéias fúteis e de pragmatismos, Alice era uma coisa só. Pulsava com força entre o desejo mais forte e a fantasia mais libertina de todas.
Ah, que delícia flutuar sobre a rotina cega que já sobrevivera. Alice era só razão para poder voar.
E decidiu: Em grande ato final, foi. Explorar uma imensidão daquilo que não conhecia. Abriu a caixa, a portinha da gaiola e foi. Para os desavisados, deixou um recado na porta: FUI!

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