Sua inquietude era uma forma de parar os sentimentos que a invadiam peito adentro ha tempos, sensações confusas e um pouco mórbidas. Era um certo jeito de encher-se dentro sem o risco de fim e vazio.
Saia pelos cantos da vida tendo encontros inesperados e paixões diárias para o resto da vida. Ela se jogava intensamente de alma e de corpo. Era de arrebatar seu próprio coração, de tatuar o nome no braço, de fazer juras de amor eterno de um instante. E quando ia embora, ia embora. Tatuava outro nome por cima e tratava de seguir com os caminhos que tinha. Esquecia as chaves, o endereço e o telefone.
Perambulou assim, de calçada em calçada, por humores vagos, desvios tortos, sem medo de doer ou arranhar o peito. E borboletava pela vida sem lugar pra pousar.
E aí um dia ela descobriu, com certo ar de ineditismo, que era possível quietar e ter conforto num determinado lugar. E que era possível olhar para um só lugar, com uma só vontade. Ah.. Já era isso. Um sorriso torto e um coração cheio.
E um dia ela percebeu que já piscava mais demoradamente com lembranças de tão pouco tempo e que a quentura do afeto era a coisa mais deliciosa que recebia dele. Estava no cinema e deixou que segurasse sua mão. E ela se assustou por ter
passado tanto tempo até que o peito ficasse vermelho e as mãos trêmulas de
maneira deliciosa.
Foi quando Alice parou de correr e resolver ficar. Era gostoso demais esperar. Lhe fazia bem o voar e o chegar. E era uma saudade que não machucava, era um abraço que falava mas era silencioso, era um beijo que encaixava os corpos. E era mais do que ela pensava receber. E descobriu que seu mundo poderia ser ordenado e bom! Aproveitou a liberdade sem moderação, deixou as sacolas num canto, foi nua. E tratou de ser feliz!

Pára!! Sara de doer. Mas se não for possível, fala e deixa correr.
ResponderExcluirÉ a sombra que te repara. A tua voz que fala, sem você para reconhecer.
Das pedras, eu sou um ladrilho. Das feras, a vontade de comer.
Quem te abandona te liberta, mesmo "sem um querer".
Repara!! Deixa de sofrer. O realejo já sabe, o que no peito não cabe.
Porque o fado não deixa de doer.
O Carioca