quarta-feira, 31 de outubro de 2018
Alice retrô
Haveria quem a achasse louca. Mas essa era a parte que não mudava. Pelo menos seria uma louca consciente. Emitiria menos gases, andaria sempre à direita como havia aprendido desde menina. Sim, faria uso das luzes quando do entardecer. E, no caso de uma parada habitual para um vinho, não haveria problema com bafômetro. Estava feliz. Não era de esportes. Mas era de ser diferente. E era de ser só dela.
Ajeitou girassóis na cesta, aprontou a mochila, calçou uma sapatilha e foi. Aquilo de se desconectar era bom. Buzinou. E sorriu.
Lhe faltariam rodinhas?
segunda-feira, 22 de outubro de 2018
Alice e o Grupo - Isso que era Amor
De qualquer forma, foi ao jardim da casa da avó, pegou aquela única rosa vermelha, algumas amarelas e encontrou uma branca solitária, recentemente brotada. Colocou na mesa, no centro. Serviu o vinho, o uísque, as cervejas e se sentou.
Aguardou. Alguns vieram. Desligaram-se as telas, mesmo que não se tivesse pedido. O grupo, diminuto, cercado de desconforto, se sentou.
Aos poucos, as crianças puxaram assunto. Isabella e Ike começaram a brincar. Karinna e Viviane pediram a Joice batatas fritas. E acabaram todos se servindo. Rodrigo passou aos pequenos as maçãs colhidas no pé e Juliana fez os pratos dos bebês. O que era estranho se des-transformou e novamente fez-se aquele típico encontro. Todos comeram e beberam. Sentaram-se à lareira mais tarde e riram. Recitaram poemas, tocaram violão, clarinete e piano. Conversaram a luz de velas e as crianças dormiram, exaustas. Alice deu as mãos a Diego e riu por entre os dentes. Não mais pensou no desenrolar das coisas. Só se deixou levar e sentiu o gostoso daquilo que era o “estar”. O grupo, menor que de costume, acabou por ficar mais conciso, unido, e mais bonito até. Continuou multi, diverso, bagunçadente divertido e tolerante. Era lindo. É. Era isso. Era lindo. Sentou-se no seu canto preferido, pegou seu gato no colo, acendeu um cigarro e contemplou a noite pela varanda. Pensou: Aquilo sim era amor.
segunda-feira, 25 de agosto de 2014
Alice e a Caixinha das Coisas Esquecidas
terça-feira, 12 de agosto de 2014
Alice quando resolveu ficar
quinta-feira, 31 de julho de 2014
Alice Eufórica
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
Alice indignada
terça-feira, 11 de fevereiro de 2014
Alice Bagunçada
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014
Alice e o Fantasma Dele
Ela dizia ter a sensação de ter sempre uma sombra Dele rondando por entorno dela. Ela ficava abafada e desolada com a sensação de não conseguir caminhar sozinha e ter sempre a sensação Dele por perto.
Era como se Ele não conseguisse viver sem ela e quisesse estar por perto a observando com seus olhos imersos no desejo de tê-la de novo.
Ela queria correr, se afastar, livrar sua mente das coisas dele, do cheiro dele, da barba mal feita dele, dos sonhos que foram deles.
Alice queria viver outras histórias, outras fantasias, outras realidades, outras pessoas. Mas Ele lhe atormentava, condensava sua existência na áurea dela, a curtia em orvalho preparando o bote. Até o silêncio Dele falava alto e fazia doer os ouvidos. As fotos ainda não tiradas do quadro a olhavam naquele abraço eterno. E as poucas migalhas descentes que haviam restado deles estavam na estrada de todos os seus caminhos para que tropeçasse Nele.
Era como se a rodeasse. Com pequenos telefonemas, poucas respostas e nenhuma pergunta. Era uma espera eterna de que as coisas ficassem cômodas de novo, apesar de não serem cômodas de maneira alguma. Eram árduas e sempre machucavam quem estivesse em volta dos conflitos do cotidiano que viviam. E era basicamente isso.
Era uma prisão particular não se deixar livre, não o deixar ir embora pelo caminho do esquecimento, isso de deixa-lo por perto. Ele a sufocava. Ele a prendia. Ele a guiava ao seu bel prazer. Ele não a permitia. Ele abafava Alice como se Ela fosse só o que Ele havia criado Dela pra Ele.
Era notável que a presença Dele só a incomodava porque Ela permitia. Permitia-se vê-lo. E o permitia estar por perto. Precisava, portanto, deixa-lo ir, parar de dar voltas por Ela e seguir seu caminho. Ela também estava “aprecisada” disso, do caminho sem espectros ou assombrações. Ela precisava começar a andar e sentir o vento no rosto branco e sair daquele casulo. Tomaria uma cerveja com aquele colega de trabalho, quem sabe. Ou iria pro samba escutar Silvia Gommes e sapatear na cara da sociedade que lhe impunha um comportamento de dama e Alice queria mesmo é ser desavergonhada e despudorada. Queria, ah, a tal da liberdade. Sem fantasmas.
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
Alice tinha Medo
Ai, essa dor que não largava do corpo e ela queria gritar.
Subia arrepiando-lhe os pelos até cair quente pelos poros em lágrimas ardidas. Ai, essa dor torturante que dava nó no buraco da garganta. Era de contorcer o corpo em relutância à. Estalava os ossos, doía o peito e corava a face.
Alice tinha era um terrível medo de fins, de inícios e de tudo que mudasse.
A dor fixava morada ali porque ela não conseguia parar de continuar. Ela não sabia dizer que não, temia profundamente o começar de novo. Era de exalar tortura, aquilo que lhe partia no meio e não tinha anestesia que sarasse. O coração dela não admitia parar de bater. E um fio de rugido baixo e leve ameaçava sair boca afora, pra acalentar a alma. Mas saia suspiro, anseio de pronuncia que não tinha fim porque acabava o ar no meio da vontade de findar-se, o grito.
Mas ela tinha medo dos fins. Os fins que parem começos. Ela temia eternamente parar de sofrer, parar de tentar, parar de sentir e morrer.
domingo, 26 de janeiro de 2014
Alice e o Buraco
Janela da alma... E sombra.

