Designer by Luiz Cotta

Alice e sua Sombra

Alice não é Ágata.
Alice não é Renata, Débora, Aline, Ana e muito menos Carolina.
Alice não é bailarina, professora de forró, santa ou indulgente.
Alice é só Alice mesmo. E mais nada.
Por enquanto...

terça-feira, 17 de março de 2009

Alice e a bola de cristal quebrada

“Niver da Fulana, carnaval e hoje... Pare de fazer a sua parte. Ela não te cabe mais.”

Não era a primeira vez que lhe dizia este tipo de coisa, que terminava alguma coisa que lhe tirava algum espaço como se a punisse por não entender o que nunca tinha dito antes.

E cansada de mendigar por amor atenção e “bastava tu, bastava tu adular tiquinho meu”, não se conteve em revolta. Não fazia parte nenhuma naquele esquema, naquele sistema que outra pessoa tinha criado e encaixado peças tortas. Não fazia nada que não fosse por puro amor. E se este não cabe, sorry, era o que tinha a oferecer. E que p@#$@% isso de dizer que não. Que não nada. Isso é coisa de um rapaz que sem ter proteção foi se esconder atrás da cara de vilão, então...

Vontade de mandar catar coquinho, mas que ligação doida é essa, tarde da noite, sabe-se lá onde estava e quantas tinha bebido, dizendo que loucura essa e que era melhor nem chamar uma vez que não queria de fato que estivesse por ali e... Foi o que pode entender. Não valia à pena mais escutar a ladainha. Desligou.

“Demente deixei de ser faz tempo e pode se achar menina que os anjos lhe tragam bons sonhos.”

As ofensas mesmo as mal-ditas lhe cansavam cada vez mais. Não lhe dera o mapa daquele tesouro, da mina escondida ou da bola de cristal. E nos últimos tempos vinha lhe amaldiçoando com coisas fúnebres como “o que ele lhe fez eu não aceitaria” mesmo que não lhe dessem ouvidos. Continuava num efeito de transferência querendo saber se não tinha algo a mais que não tinha dito ou algo muito mais sério do que seus problemas estomacais.

Sua estranheza afetava não somente Alice, mas Monalizas também. “Deixa”, diziam. Deixaria, então.

O problema é que deixar era difícil porque significava deixar um amor que lhe fazia muito bem, mas que ultimamente andava lhe trazendo demasiadas preocupações e, por vezes, tirava o chão onde pisava. Mas era um grande amor. Um amor que pedia libertação, fazia birra ou simplesmente queria um tiquinho de adulação. Mas êta amor difícil de decifrar, cheio de entrelinhas e adivinhações. Mas deixaria. Com grande pesar. Por nunca mais ter encontrado aquele amor leve e refrescante que antes só lhe fazia bem, mesmo sendo mal.

Deixa saudades.

Um comentário:

Quem falou aí?

Janela da alma... E sombra.

Janela da alma... E sombra.

Quem?

O que disse Richard Pekny